ECONÔMICO E FINANCEIRO

Cenário Macroeconômico

Mundo

O panorama externo permaneceu desafiador durante todo o ano de 2018, influenciado sobretudo pelas dificuldades relacionadas à guerra comercial entre Estados Unidos e China, a crescente preocupação a respeito do ritmo de desaceleração da economia global, além das negociações para a saída do Reino Unido do bloco econômico da União Europeia.

Apesar da perspectiva inicial otimista, incentivada pela boa recuperação da manufatura e do comércio internacional em 2017, a confiança e o dinamismo foram abalados pelas disputas tarifárias entre as duas maiores economias mundiais que contaminaram outros mercados, demonstrando um forte viés protecionista ao longo do ano.

Mesmo assim, houve elevação de 2,9% no Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, contra 2,2% em 2017, impulsionada principalmente pelo consumo das famílias, exportações e gastos do governo.

Enquanto isso, a China teve seu pior desempenho em décadas, com expansão de 6,6% do PIB em 2018, o que representa queda de 0,2 pontos percentuais em comparação com o exercício anterior. Além da disputa comercial com os Estados Unidos, a redução se deve também ao enfraquecimento da demanda doméstica.

Na Zona do Euro, o cenário foi ainda mais difícil, com elevação de 1,8% do PIB em 2018, frente a 2,4% em 2017. Além de questões internas do bloco, a desaceleração também é resultado da guerra tarifária EUA x China que gerou impactos diretos e indiretos em todos os países.

A divulgação de números abaixo das expectativas reforça as incertezas para 2019, incentivando maior cautela dos investidores diante dos possíveis impasses geopolíticos e econômicos. Apesar da previsão de aumento do PIB global de 3,5% para o ano, feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), ainda restam muitas dúvidas quanto às ameaças que possam surgir durante o período como avanço das restrições comerciais, estabilidade das instituições e das regras globais, queda da produtividade mundial, incremento da inflação e do endividamento público e privado em diversos países.

 

Brasil

Diante das perspectivas iniciais, o desempenho da economia brasileira decepcionou os analistas e investidores em 2018. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 1,1% em 2018, somando R$ 6,8 trilhões, na segunda alta consecutiva após anos de retração. Mesmo assim, só foi repetido o avanço obtido em 2017.

A reversão das expectativas começou com a greve dos caminheiros, em maio, e foi se consolidando com as dificuldades trazidas pela conturbada disputa eleitoral e a piora no cenário internacional.

Para se ter uma ideia do significado desse nível de crescimento, o PIB brasileiro em 2018 ocupou o 40º lugar em um ranking com 42 nações, elaborado pela Austing Rating. A lista leva em conta os resultados das maiores economias, sendo que o desempenho brasileiro ficou acima do registrado apenas na Itália (0,8%) e no Japão (0,7%) e abaixo de países como Peru (4%), México (2%) e Nigéria (1,9%).

No consolidado, a evolução nos principais setores foi: importação (8,5%), exportação (4,1%), consumo das famílias (1,9%, com a 2ª alta anual consecutiva acima do PIB), serviços (1,3%) e indústria (0,6%, com a 1ª alta após quatro anos em baixa). A queda mais significativa se deu na construção civil (-2,5%), com a 5ª retração consecutiva. O agronegócio, grande alavanca do PIB em 2017 (com salto de 13% no ano), cresceu somente 0,1% em 2018. O governo encerrou o ano com deficit primário de R$ 120,3 bilhões, equivalente a 1,7% do PIB.

Enquanto isso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, fechou 2018 em 3,75%. O valor está abaixo do centro da meta fixada pelo governo, que era de 4,5%, mas acima do acumulado em 2017, que foi de 2,95%. A Selic, taxa de juros básica definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, terminou o ano em 6,5%, seu menor nível desde o início da série histórica.

Para 2019, deve haver cautela, uma vez que, tanto no cenário nacional (dominado inicialmente pela tramitação da reforma da previdência, por exemplo) quanto no internacional (com incertezas referentes à guerra comercial EUA x China, entre outros aspectos), há muitas variáveis a serem acompanhadas de perto que podem causar surpresas e mudanças inesperadas.

 

O setor previdenciário

O segmento foi impactado por mais um ano de estagnação nas discussões sobre a reforma da Previdência. Os constantes adiamentos têm gerado um ambiente de incerteza em relação às definições das regras e políticas para o setor público e, portanto, também para o privado. A Previdência Social contabilizou deficit de R$ 195,2 bilhões em 2018, um acréscimo de 7% frente a 2017, que reforça a necessidade de reforma do sistema.

Em dezembro de 2018, segundo balanço da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), os ativos do setor alcançaram a marca de R$ 900 bilhões, superando 13% do PIB. O sistema paga mais de R$ 50 bilhões anuais para cerca de 850 mil assistidos, o que equivale a uma média de R$ 6 mil per capita ao mês, e congrega 2,7 milhões de participantes ativos e mais 3 milhões de dependentes diretos e indiretos.

Entre os principais avanços para o segmento, está a Resolução nº 4.661, publicada em maio pelo Conselho Monetário Nacional, com regras que abrangem aspectos de governança e proteção nas aplicações dos recursos, propondo mudanças nas restrições e recomendações de alocação e diversificação dos ativos. Vale destacar que, no caso da Visão Prev, a Resolução representou mais uma confirmação de sua gestão bem estruturada e alinhada com o mercado, uma vez que a entidade já segue a maior parte das exigências estabelecidas.

Também merece destaque a aprovação, em dezembro, pelo Conselho Nacional de Previdência Complementar da proposta do registro de CNPJ por plano. A medida, que ainda depende da edição de normas e instruções procedimentais, visa segregar de modo ainda mais claro os patrimônios, evitando o uso indevido de recursos de um plano por demandas judiciais relacionadas a outro. Essa é mais uma demonstração do esforço do sistema para mitigar riscos e garantir maior segurança para os participantes e patrocinadoras que investem e acreditam nos benefícios da previdência complementar.


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